Considerações sobre a Língua Portuguesa e o Acordo Ortográfico

Parte I

Alguns factos históricos sobre a língua portuguesa

Em alguns países deste mundo, tão vasto que por vezes nos esquecemos que o nosso “pequeno mundo” não é um espelho da realidade de todos os seres humanos, todos eles com os seus próprios “pequenos mundos” e diferentes realidades, existe algum desconhecimento relativamente ao nosso país, à nossa língua e ao nosso povo.

Por mais que nos possa parecer absurdo, em certos países confunde-se a língua portuguesa com a espanhola, de seu nome Castelhano, e há quem afirme erradamente que Portugal faz ou fez parte de Espanha, o que é totalmente falso porque enquanto Portugal não foi país, Espanha também não o era, e apenas partilharam a mesma península geograficamente falando, mas com povos e idiomas diferentes. Noutros lugares do planeta, diz-se que o Português de Portugal deriva do “brasileiro”, ou Português do Brasil.

O primeiro erro está logo na terminologia, Brasileiro é o termo que descreve um nativo do Brasil, não é um idioma. No Brasil fala-se Português do Brasil, este sim derivado do Português de Portugal, que já era nação quando colonizou o Brasil, em meados de 1530, dando origem à variante brasileira do nosso idioma.

E não, não somos “latinos” no sentido americano da palavra, erradamente associada à “raça”. A palavra, antropologicamente falando, refere-se aos povos da península itálica (Itália, portanto, nada a ver!).

O português é uma língua latina, sim, mas apenas porque deriva, juntamente com outras influências, e tal como vários outros idiomas (o castelhano, o francês, o italiano, etc.) do Latim — uma língua morta, difundida pelo antigo Império Romano, nos tempos em que o povo romano e o povo grego eram o auge da civilização, e consideravam todos os outros povos meros “bárbaros”.

Quando as Américas foram “colonizadas” por estes povos mais civilizados do Velho Mundo, os povos Germânicos conquistaram os países mais a Norte enquanto os povos da Península Ibérica — cujo idioma derivava do Latim do Império Romano (neste caso, Portugueses e Castelhanos/Espanhóis) — conquistaram países mais a sul, deixando por estas partes das Américas os seus idiomas “latinos”.

Daí a designação “América Latina”, erradamente associada a questões raciais.

O que é a Comunidade de Países de Língua Portuguesa?

Na actualidade, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) é composta por 9 países situados em 4 continentes (Europa, América, África e Ásia) que têm como idioma oficial o Português:

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné equatorial, Moçambique, Portugal, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe.

Ao todo, são aproximadamente 230 milhões de pessoas falantes de língua portuguesa em diferentes pontos do globo, com laços de fraternidade e cooperação que não assentam sobre a proximidade territorial, mas são fundamentados por um vínculo histórico e pela partilha de um mesmo idioma oficial até aos nossos dias.

Isto significa que, ao optar por traduzir os seus textos para Português, não está a dar a conhecer o seu negócio a uns meros 10 milhões de pessoas em Portugal, e sim a mais de 200 milhões de pessoas no mundo inteiro. Sem contar com os cerca de 13 milhões de falantes de português não-nativos.

O português encontra-se entre os 10 idiomas mais falados do nosso planeta.

Claro que existem normas legais que regem a ortografia da língua portuguesa.

Estas são parte do conjunto de motivos pelos quais deverá sempre confiar as suas traduções e revisões de textos para o Português de Portugal, bem como as adaptações do Português do Brasil para o Português de Portugal, a profissionais experientes e proficientes em ambos os idiomas, o de destino, mas principalmente o de partida.

Não basta ser-se muito bom no idioma de destino para realizar uma boa tradução — é essencial dominar a fundo o idioma nativo, as suas especificidades e variantes, as regras gramaticais e as normas ortográficas.

A arte da tradução tem muito menos a ver com o conhecimento da outra língua do que com o conhecimento da sua própria.
— Ned Rorem

Não perca a parte II deste artigo onde nos debruçaremos mais a fundo sobre as regras ortográficas e os acordos ortográficos.

Leia mais aqui!

Sobre o nosso blogue

Aqui, exploramos temas que nos são queridos e relevantes. Sérios, mas com um toque de humor e apimentados pela nossa paixão pela escrita! Conheça-nos “nos bastidores” e partilhe a sua opinião através dos comentários!

About our blog

This is where we explore topics that we hold dear or that are relevant. Serious, with a hint of humor and spiced up by our passion for writing! Get to know us “behind the scenes” and share your opinion in the comments section!

Categorias

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.

Leia mais

Leia mais

A pós-edição é uma competência relevante?

A pós-edição é uma competência relevante?

No passado, muitas vezes era mais fácil trabalhar directamente a partir do texto original e traduzir de raiz do que editar posteriormente o conteúdo gerado, normalmente de má qualidade. Porém, os avanços na tradução automática — impulsionados principalmente pelo facto de o texto pós-editado poder ser alimentado aos motores de tradução para aprendizagem — permitem agora um resultado de maior qualidade, e isto tem vindo a aumentar a procura deste serviço.

read more
Traduções certificadas e tradutores “certificados” ou “juramentados”

Traduções certificadas e tradutores “certificados” ou “juramentados”

Também não é necessário contratar um tradutor “oficial”, ou seja, um membro da Associação Portuguesa de Tradutores – como algumas instituições exigem sem conhecimento de causa – para realizar uma tradução certificada. Qualquer tradutor profissional pode realizar a tradução, que será posteriormente certificada pela autoridade competente, e o documento produzido terá validade legal.

read more

Read more

Read more

A pós-edição é uma competência relevante?

A pós-edição é uma competência relevante?

No passado, muitas vezes era mais fácil trabalhar directamente a partir do texto original e traduzir de raiz do que editar posteriormente o conteúdo gerado, normalmente de má qualidade. Porém, os avanços na tradução automática — impulsionados principalmente pelo facto de o texto pós-editado poder ser alimentado aos motores de tradução para aprendizagem — permitem agora um resultado de maior qualidade, e isto tem vindo a aumentar a procura deste serviço.

read more
Traduções certificadas e tradutores “certificados” ou “juramentados”

Traduções certificadas e tradutores “certificados” ou “juramentados”

Também não é necessário contratar um tradutor “oficial”, ou seja, um membro da Associação Portuguesa de Tradutores – como algumas instituições exigem sem conhecimento de causa – para realizar uma tradução certificada. Qualquer tradutor profissional pode realizar a tradução, que será posteriormente certificada pela autoridade competente, e o documento produzido terá validade legal.

read more

Pin It on Pinterest

Share This