Pedir orçamento

Pedido de Orçamento

Preencha o formulário abaixo para solicitar um orçamento gratuito. Enviaremos a nossa proposta com a maior brevidade possível.

    Nome*

    Empresa

    E-mail*

    Confirmar e-mail*

    Nº telefone

    NIF

    Serviço pretendido

    Prazo de entrega

    Mensagem (opcional)

    * Preenchimento obrigatório

    WhatsApp

    Pedir orçamento

    Pedido de Orçamento

    Preencha o formulário abaixo para solicitar um orçamento gratuito. Enviaremos a nossa proposta com a maior brevidade possível.

      Nome*

      Empresa

      E-mail*

      Confirmar e-mail*

      Nº telefone

      NIF

      Serviço pretendido

      Prazo de entrega

      Mensagem (opcional)

      * Preenchimento obrigatório

      WhatsApp

      Get a free quote

      Request Quote Form

      Fill out the form below to request a free quote. We will send you our proposal as soon as possible.

        Name*

        Company

        Email*

        Confirm email*

        Phone No

        VAT No

        Service

        Deadline

        Message

        * Mandatory fields

        WhatsApp

        Get a free quote

        Request Quote Form

        Fill out the form below to request a free quote. We will send you our proposal as soon as possible.

          Name*

          Company

          Email*

          Confirm email*

          Phone No

          VAT No

          Service

          Deadline

          Message

          * Mandatory fields

          WhatsApp

          Errar é humano? Sim, mas tem um preço.

          10 erros de tradução desastrosos

          Assim, de repente, parece improvável e até inverosímil que um erro de tradução possa provocar uma guerra entre nações ou culminar em milhares de mortes, não é verdade?
          .
          Porém, a história, pontuada por incidentes nas relações internacionais causados por discrepâncias na tradução de comunicações, tratados e discursos, diz-nos que não é bem assim.

          Mais plausíveis e de menor gravidade são os erros de tradução que geram má publicidade no marketing. A tradução de marketing requer a capacidade de adaptação dos conteúdos relativos aos produtos ou marcas de um país para outro e exige o recurso a profissionais locais capazes de evitar quaisquer possíveis interpretações erradas ou ambíguas.

          Gostaria de conhecer alguns dos mais famosos erros de tradução com consequências reais e impactantes? Acompanhe-nos! 😊

          1. Provas de vida em Marte

          O astrónomo italiano Giovani Schiaparelli do séc. XIX baptizou áreas específicas do planeta vermelho com o termo italiano canali.

          Canali deveria ter sido traduzido originalmente como “channel”, que diz respeito a estruturas naturais. Porém, foi traduzido como “canal”, uma palavra inglesa de sonoridade muito semelhante, mas que se refere especificamente a estruturas artificiais, portanto, que teriam de ter sido construídas por vida inteligente.

          Isto fez com que cientistas futuros entendessem estes canais (que afinal vieram a revelar-se meras ilusões ópticas) como algo construído em vez de uma característica natural, acreditando piamente que Schiaparelli tinha percebido a existência de vida em Marte!

          H. G. Wells, autor de A Guerra dos Mundos, foi um dos escritores influenciados por este mal-entendido.

          2. Incoerências no Tratado de Waitangi

          Tratado de Waitangi foi assinado em 1840 entre a Coroa Britânica e os chefes da Confederação das Tribos da Nova Zelândia e outras tribos Maori, em inglês e em maori. 🥝 🥝

          O tratado garantia a soberania da Rainha de Inglaterra sobre a Nova Zelândia, deixando aos chefes tribais a continuidade da chefia e a pertença das suas terras e posses, bem como conferindo-lhes os mesmos direitos que aos colonos britânicos.

          Porém, no ponto em que a versão inglesa falava de “soberania”, a tradução maori referia apenas “protecção”, por isso, muitos Maori acreditam que a Coroa não honrou o tratado assinado.

          Este mal-entendido está na base dos conflitos entre os maoris e os descendentes dos britânicos até aos nossos dias.

          3. O desejo sexual de um presidente por um povo

          Será que Jimmy Carter, presidente dos Estados Unidos na década de 70–80, numa visita de Estado à Polónia discursou sobre como desejava a população daquele país — no sentido carnal da palavra? Claro que não!

          Mas foi o entendimento do intérprete de Carter no discurso, sem dúvida pressionado pela imediatez da tradução simultânea, que utilizou inadvertidamente o termo polaco relativo ao desejo carnal. 💗

          Quando Carter, no mesmo discurso, referiu que tinha deixado os EUA nessa manhã (I left the USA this morning), obviamente apenas para realizar a dita viagem, o mesmo intérprete entendeu que o próprio Presidente dos Estados Unidos da América tinha abandonado definitivamente o seu país natal e foi assim que partilhou a informação com o público atónito! 😤

          4. Mal-entendido na Guerra Fria

          Em 1956, uma afirmação de Nikita Khrushchev, “My vas pokhoronim!”, traduzida como “We will bury you” foi interpretada como uma ameaça nuclear e inflamou anticomunistas e não só a nível mundial. Na cimeira, vários enviados da NATO abandonaram o local expressando a sua repudia e indignação.

          Esta frase tornou-se mundialmente famosa em 1985 no êxito do cantor pop Sting, “Russians”:

          “In the rhetorical speeches of the Soviets
          Mister Krushchev said, ‘We will bury you’
          I don’t subscribe to this point of view
          It’d be such an ignorant thing to do
          If the Russians love their children too
          .” 1

           

          Na verdade, a intenção da frase original era apenas fazer uma referência à obra de Karl Marx que dizia algo como “The proletariat is the undertaker of capitalism”, ou seja, que o proletariado — o próprio povo trabalhador nativo de um qualquer país — viria a acabar com o jugo dos seus próprios governantes capitalistas (Marx utilizara em sentido figurativo o termo undertaker – coveiro). ☠️

          Não se tratando de uma afirmação simpática, também não era de todo uma ameaça, apenas uma previsão de que o próprio povo irá sempre rebelar-se para esmagar regimes considerados opressivos.

          Este erro do tradutor poderia ter provocado uma Guerra Nuclear! 🤯

          1 Nos discursos retóricos dos soviéticos
          O senhor Krushchev disse: “Vamos enterrar-vos”.
          Não subscrevo este ponto de vista
          Seria uma coisa tão ignorante de se fazer
          Se os russos também amam os seus filhos.

          5. Como uma palavra ajudou a destruir Hiroxima

          Mokusatsu é uma palavra japonesa composta por dois caracteres kanji formada pela aglutinação de dois termos que, entendidos isolada e literalmente, significam “morte” e “silêncio”.

          Este substantivo é empregue para demonstrar que por desprezo, reserva ou sensatez, preferimos não comentar.

          Em 1945, esta palavra simples e contudo ambígua foi a resposta do primeiro-ministro japonês Kantaro Suzuki ao ultimato dos países aliados que exigia a rendição imediata do “país do sol nascente”. Kantaro queria dizer que preferia não comentar o ultimato naquele momento.

          Actualmente, este termo podia muito bem ser traduzido por “Sem comentários” (No comments, em inglês), porém, à data, os jornalistas internacionais reportaram a resposta do primeiro-ministro como “nem sequer é digno de comentários”, como se a intenção tivesse sido de desprezo, sem que nenhum referisse a ambiguidade da palavra.

          Os EUA entenderam que o primeiro-ministro tinha recusado qualquer possibilidade de acabar com a guerra pela via diplomática e, como tal, o Enola Gay lançou a bomba atómica sobre Hiroxima poucos dias mais tarde, resultando na morte de muitos milhares de pessoas.

          Obviamente, não é possível afirmar com toda a certeza que a tragédia nuclear não teria ocorrido sem este erro de tradução, mas a própria NSA considera que este entendimento da resposta japonesa como rejeição da negociação influenciou a decisão, tendo tornado público o documento anteriormente considerado “classified”.

          6. Slogans mortais

          Voltemos a visitar a Nova Zelândia!

          Em 2018, a Coca-Cola tentou combinar numa das suas vending machines o termo inglês mate (amigo) com o maori kia ora (olá) num slogan que significaria — se tudo corresse bem — “Olá, amigo”…

          Porém, os tradutores desconheciam que a palavra mate em maori significa “morte”, o que resultou no produto a ser comercializado na Nova Zelândia de uma forma muito pouco elogiosa, já que saudava o povo maori com um “Olá, morte!”…

          Digamos que, com aquela quantidade de açúcar, até faz sentido! 🍬

          Fiquemos com a Coca-Cola, mas viajemos agora ao país mais populoso do mundo, a China.

          Nos loucos anos 20, a conhecida marca traduziu inicialmente o nome do produto pela palavra chinesa de sonoridade semelhantekekoukela”, desconhecendo que em alguns dialectos daquele país o termo significa “morder o girino de cera” ou “égua recheada de cera”.

          Bastante ridículo, não? Felizmente, os profissionais acabaram por encontrar a alternativa “kokoukole”, também evocando o nome original, mas que significa algo como “Felicidade na boca”.

          Ainda na China, a principal concorrente da Coca-Cola, Pepsi, decidiu traduzir literalmente a sua catch fraseCome alive!”, com a ideia de que a bebida nos faz sentir vivos e, alegadamente, viu as vendas caírem a pique no país!

          Para os chineses, o produto prometia fazer levantar os mortos das respectivas campas, o que foi visto de forma muito negativa por um povo que respeita tremendamente os seus antepassados.

          Além disso, quem quer ver os seus parentes falecidos a sair dos túmulos?

          Esperamos que ninguém!

          Um perfeito exemplo de como a tradução muitas vezes requer adaptação e exige conhecimento da cultura de ambos os povos e não apenas conhecimento linguístico dos dois idiomas.

          7. A Electrolux é a pior!

          Quem tem conhecimentos do inglês norte-americano, ainda que básicos, sabe que o termo suck (em inglês como em português, do verbo “sugar”) em sentido figurado e se utilizado como adjectivo pode fazer referência a algo, ou alguém, que não presta.

          Nos anos 70, a Electrolux, empresa originária da Suécia, recorreu a uma empresa de marketing britânica para criar o seu slogan para o mercado internacional em inglês “Nothing sucks like Electrolux”, com o intuito de reforçar o poder de sucção dos seus aspiradores — leia-se “Nada suga tão bem como a Electrolux”. Um slogan inócuo no inglês UK, mas desastroso no inglês US!: “Não há nada pior que a Electrolux”! 🤣

          8. Aviões de nudismo

          A American Airlines no México pretendia promover os seus assentos de couro da primeira classe por meio de uma campanha publicitária com um slogan simples e directo: “Fly in leather” (Voe em couro), que a empresa traduziu literalmente como “Vuela en cuero”.

          Aqueles que traduziram o slogan não se deram ao trabalho de pesquisar sobre o povo, a cultura e o idioma dos países onde lançariam a sua campanha. Ignoravam que, para os mexicanos, “en cuero” significa estar nu, portanto, um convite a viajar totalmente despido.

          Como resultado deste slogan descuidado, a empresa sofreu não apenas perdas financeiras, mas também danos à reputação e perda de confiança no país.

          9. Gaffe do tradutor automático

          Quando a cantora israelita Netta Barzilai venceu o festival da Eurovisão em Lisboa com uma música sobre o amor-próprio independentemente do aspecto físico, o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu resolveu congratulá-la publicamente publicando no Twitter, em hebraico: Netta, at kapparah amitit.

          Kapparah é um termo coloquial que significa carinho, traduzindo-se em algo como “Netta, és uma querida”. Porém, o tradutor automático Bing entendeu a palavra como o vocábulo semelhante keparah, que significa “vaca”, traduzindo a felicitação do primeiro-ministro por um embaraçoso “Neta, you’re a real cow” (sim, é isso mesmo: Netta, és uma grande vaca)… 😮

          Consegue imaginar o constrangimento de todos os envolvidos e a incredulidade de quem leu a publicação online antes de ser corrigida pela própria Microsoft?

          10. As canetas que não engravidam

          Ao lançar o seu produto no mercado mexicano, a conhecida marca de canetas de tinta permanente, Parker, traduziu o seu slogan “won’t leak in your pocket and embarrass you” para espanhol.

          Já está a intuir que não correu bem, certo?

          O termo “embarrass” significa o mesmo que na língua portuguesa, embaraçar. De facto, ficar com o bolso da camisa cheio de tinta numa reunião de negócios é embaraçoso!

          O erro foi ao traduzir para o idioma local terem escolhido a palavra com sonoridade e grafia mais semelhante “embarazar”, que na verdade significa engravidar…

          É muito reconfortante saber que basta usar uma caneta Parker no bolso e não correrá o risco de engravidar! Contraceptivos para quê? 💊💊

          Gostou?

          Algumas destas histórias estão amplamente divulgadas, mas não foram confirmadas pelas marcas em questão nem foram encontradas provas factuais do ocorrido. No entanto, também não foram desmentidas! Quanto a outras, existem provas documentais e fotográficas.

          Dê uma vista de olhos às nossas sugestões de leitura para saber mais sobre este assunto:

          ☞ https://nzhistory.govt.nz/files/documents/treaty-kawharu-footnotes.pdf
          ☞ “Mokusatsu: One Word, Two Lessons,” NSA Technical Journal, 1968, XIII-4, p. 95-100 https://www.cia.gov/readingroom/
          ☞ Dinah Shelton, “Reconcilable Differences – The Interpretation of Multilingual Treaties,” 20 Hastings Int’l & Comp. L. Rev. 611 (1997). https://repository.uchastings.edu/hastings_international_comparative_law_review/vol20/iss3/8
          ☞ “Erreurs de traduction et malentendus diplomatiques,” Valère Ndior, pp. 297-312

          Assim, de repente, parece improvável e até inverosímil que um erro de tradução possa provocar uma guerra entre nações ou culminar em milhares de mortes, não é verdade?
          .
          Porém, a história, pontuada por incidentes nas relações internacionais causados por discrepâncias na tradução de comunicações, tratados e discursos, diz-nos que não é bem assim.

          Mais plausíveis e de menor gravidade são os erros de tradução que geram má publicidade no marketing. A tradução de marketing requer a capacidade de adaptação dos conteúdos relativos aos produtos ou marcas de um país para outro e exige o recurso a profissionais locais capazes de evitar quaisquer possíveis interpretações erradas ou ambíguas.

          Gostaria de conhecer alguns dos mais famosos erros de tradução com consequências reais e impactantes? Acompanhe-nos! 😊

          1. Provas de vida em Marte

          O astrónomo italiano Giovani Schiaparelli do séc. XIX baptizou áreas específicas do planeta vermelho com o termo italiano canali.

          Canali deveria ter sido traduzido originalmente como “channel”, que diz respeito a estruturas naturais. Porém, foi traduzido como “canal”, uma palavra inglesa de sonoridade muito semelhante, mas que se refere especificamente a estruturas artificiais, portanto, que teriam de ter sido construídas por vida inteligente.

          Isto fez com que cientistas futuros entendessem estes canais (que afinal vieram a revelar-se meras ilusões ópticas) como algo construído em vez de uma característica natural, acreditando piamente que Schiaparelli tinha percebido a existência de vida em Marte!

          H. G. Wells, autor de A Guerra dos Mundos, foi um dos escritores influenciados por este mal-entendido.

          2. Incoerências no Tratado de Waitangi

          Tratado de Waitangi foi assinado em 1840 entre a Coroa Britânica e os chefes da Confederação das Tribos da Nova Zelândia e outras tribos Maori, em inglês e em maori. 🥝 🥝

          O tratado garantia a soberania da Rainha de Inglaterra sobre a Nova Zelândia, deixando aos chefes tribais a continuidade da chefia e a pertença das suas terras e posses, bem como conferindo-lhes os mesmos direitos que aos colonos britânicos.

          Porém, no ponto em que a versão inglesa falava de “soberania”, a tradução maori referia apenas “protecção”, por isso, muitos Maori acreditam que a Coroa não honrou o tratado assinado.

          Este mal-entendido está na base dos conflitos entre os maoris e os descendentes dos britânicos até aos nossos dias.

          3. O desejo sexual de um presidente por um povo

          Será que Jimmy Carter, presidente dos Estados Unidos na década de 70–80, numa visita de Estado à Polónia discursou sobre como desejava a população daquele país — no sentido carnal da palavra? Claro que não!

          Mas foi o entendimento do intérprete de Carter no discurso, sem dúvida pressionado pela imediatez da tradução simultânea, que utilizou inadvertidamente o termo polaco relativo ao desejo carnal. 💗

          Quando Carter, no mesmo discurso, referiu que tinha deixado os EUA nessa manhã (I left the USA this morning), obviamente apenas para realizar a dita viagem, o mesmo intérprete entendeu que o próprio Presidente dos Estados Unidos da América tinha abandonado definitivamente o seu país natal e foi assim que partilhou a informação com o público atónito! 😤

          4. Mal-entendido na Guerra Fria

          Em 1956, uma afirmação de Nikita Khrushchev, “My vas pokhoronim!”, traduzida como “We will bury you” foi interpretada como uma ameaça nuclear e inflamou anticomunistas e não só a nível mundial. Na cimeira, vários enviados da NATO abandonaram o local expressando a sua repudia e indignação.

          Esta frase tornou-se mundialmente famosa em 1985 no êxito do cantor pop Sting, “Russians”:

          “In the rhetorical speeches of the Soviets
          Mister Krushchev said, ‘We will bury you’
          I don’t subscribe to this point of view
          It’d be such an ignorant thing to do
          If the Russians love their children too
          .” 1

          Na verdade, a intenção da frase original era apenas fazer uma referência à obra de Karl Marx que dizia algo como “The proletariat is the undertaker of capitalism”, ou seja, que o proletariado — o próprio povo trabalhador nativo de um qualquer país — viria a acabar com o jugo dos seus próprios governantes capitalistas (Marx utilizara em sentido figurativo o termo undertaker – coveiro). ☠️

          Não se tratando de uma afirmação simpática, também não era de todo uma ameaça, apenas uma previsão de que o próprio povo irá sempre rebelar-se para esmagar regimes considerados opressivos.

          Este erro do tradutor poderia ter provocado uma Guerra Nuclear! 🤯

          1 Nos discursos retóricos dos soviéticos
          O senhor Krushchev disse: “Vamos enterrar-vos”.
          Não subscrevo este ponto de vista
          Seria uma coisa tão ignorante de se fazer
          Se os russos também amam os seus filhos.

          5. Como uma palavra ajudou a destruir Hiroxima

          Mokusatsu é uma palavra japonesa composta por dois caracteres kanji formada pela aglutinação de dois termos que, entendidos isolada e literalmente, significam “morte” e “silêncio”.

          Este substantivo é empregue para demonstrar que por desprezo, reserva ou sensatez, preferimos não comentar.

          Em 1945, esta palavra simples e contudo ambígua foi a resposta do primeiro-ministro japonês Kantaro Suzuki ao ultimato dos países aliados que exigia a rendição imediata do “país do sol nascente”. Kantaro queria dizer que preferia não comentar o ultimato naquele momento.

          Actualmente, este termo podia muito bem ser traduzido por “Sem comentários” (No comments, em inglês), porém, à data, os jornalistas internacionais reportaram a resposta do primeiro-ministro como “nem sequer é digno de comentários”, como se a intenção tivesse sido de desprezo, sem que nenhum referisse a ambiguidade da palavra.

          Os EUA entenderam que o primeiro-ministro tinha recusado qualquer possibilidade de acabar com a guerra pela via diplomática e, como tal, o Enola Gay lançou a bomba atómica sobre Hiroxima poucos dias mais tarde, resultando na morte de muitos milhares de pessoas.

          Obviamente, não é possível afirmar com toda a certeza que a tragédia nuclear não teria ocorrido sem este erro de tradução, mas a própria NSA considera que este entendimento da resposta japonesa como rejeição da negociação influenciou a decisão, tendo tornado público o documento anteriormente considerado “classified”.

          6. Slogans mortais

          Voltemos a visitar a Nova Zelândia!

          Em 2018, a Coca-Cola tentou combinar numa das suas vending machines o termo inglês mate (amigo) com o maori kia ora (olá) num slogan que significaria — se tudo corresse bem — “Olá, amigo”…

          Porém, os tradutores desconheciam que a palavra mate em maori significa “morte”, o que resultou no produto a ser comercializado na Nova Zelândia de uma forma muito pouco elogiosa, já que saudava o povo maori com um “Olá, morte!”…

          Digamos que, com aquela quantidade de açúcar, até faz sentido! 🍬

          Fiquemos com a Coca-Cola, mas viajemos agora ao país mais populoso do mundo, a China.

          Nos loucos anos 20, a conhecida marca traduziu inicialmente o nome do produto pela palavra chinesa de sonoridade semelhantekekoukela”, desconhecendo que em alguns dialectos daquele país o termo significa “morder o girino de cera” ou “égua recheada de cera”.

          Bastante ridículo, não? Felizmente, os profissionais acabaram por encontrar a alternativa “kokoukole”, também evocando o nome original, mas que significa algo como “Felicidade na boca”.

          Ainda na China, a principal concorrente da Coca-Cola, Pepsi, decidiu traduzir literalmente a sua catch fraseCome alive!”, com a ideia de que a bebida nos faz sentir vivos e, alegadamente, viu as vendas caírem a pique no país!

          Para os chineses, o produto prometia fazer levantar os mortos das respectivas campas, o que foi visto de forma muito negativa por um povo que respeita tremendamente os seus antepassados.

          Além disso, quem quer ver os seus parentes falecidos a sair dos túmulos?

          Esperamos que ninguém!

          Um perfeito exemplo de como a tradução muitas vezes requer adaptação e exige conhecimento da cultura de ambos os povos e não apenas conhecimento linguístico dos dois idiomas.

          7. A Electrolux é a pior!

          Quem tem conhecimentos do inglês norte-americano, ainda que básicos, sabe que o termo suck (em inglês como em português, do verbo “sugar”) em sentido figurado e se utilizado como adjectivo pode fazer referência a algo, ou alguém, que não presta.

          Nos anos 70, a Electrolux, empresa originária da Suécia, recorreu a uma empresa de marketing britânica para criar o seu slogan para o mercado internacional em inglês “Nothing sucks like Electrolux”, com o intuito de reforçar o poder de sucção dos seus aspiradores — leia-se “Nada suga tão bem como a Electrolux”. Um slogan inócuo no inglês UK, mas desastroso no inglês US!: “Não há nada pior que a Electrolux”! 🤣

          8. Aviões de nudismo

          A American Airlines no México pretendia promover os seus assentos de couro da primeira classe por meio de uma campanha publicitária com um slogan simples e directo: “Fly in leather” (Voe em couro), que a empresa traduziu literalmente como “Vuela en cuero”.

          Aqueles que traduziram o slogan não se deram ao trabalho de pesquisar sobre o povo, a cultura e o idioma dos países onde lançariam a sua campanha. Ignoravam que, para os mexicanos, “en cuero” significa estar nu, portanto, um convite a viajar totalmente despido.

          Como resultado deste slogan descuidado, a empresa sofreu não apenas perdas financeiras, mas também danos à reputação e perda de confiança no país.

          9. Gaffe do tradutor automático

          Quando a cantora israelita Netta Barzilai venceu o festival da Eurovisão em Lisboa com uma música sobre o amor-próprio independentemente do aspecto físico, o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu resolveu congratulá-la publicamente publicando no Twitter, em hebraico: Netta, at kapparah amitit.

          Kapparah é um termo coloquial que significa carinho, traduzindo-se em algo como “Netta, és uma querida”. Porém, o tradutor automático Bing entendeu a palavra como o vocábulo semelhante keparah, que significa “vaca”, traduzindo a felicitação do primeiro-ministro por um embaraçoso “Neta, you’re a real cow” (sim, é isso mesmo: Netta, és uma grande vaca)… 😮

          Consegue imaginar o constrangimento de todos os envolvidos e a incredulidade de quem leu a publicação online antes de ser corrigida pela própria Microsoft?

          10. As canetas que não engravidam

          Ao lançar o seu produto no mercado mexicano, a conhecida marca de canetas de tinta permanente, Parker, traduziu o seu slogan “won’t leak in your pocket and embarrass you” para espanhol.

          Já está a intuir que não correu bem, certo?

          O termo “embarrass” significa o mesmo que na língua portuguesa, embaraçar. De facto, ficar com o bolso da camisa cheio de tinta numa reunião de negócios é embaraçoso!

          O erro foi ao traduzir para o idioma local terem escolhido a palavra com sonoridade e grafia mais semelhante “embarazar”, que na verdade significa engravidar…

          É muito reconfortante saber que basta usar uma caneta Parker no bolso e não correrá o risco de engravidar! Contraceptivos para quê? 💊💊

          Gostou?

          Algumas destas histórias estão amplamente divulgadas, mas não foram confirmadas pelas marcas em questão nem foram encontradas provas factuais do ocorrido. No entanto, também não foram desmentidas! Quanto a outras, existem provas documentais e fotográficas.

          Dê uma vista de olhos às nossas sugestões de leitura para saber mais sobre este assunto:

          ☞ https://nzhistory.govt.nz/files/documents/treaty-kawharu-footnotes.pdf
          ☞ “Mokusatsu: One Word, Two Lessons,” NSA Technical Journal, 1968, XIII-4, p. 95-100 https://www.cia.gov/readingroom/
          ☞ Dinah Shelton, “Reconcilable Differences – The Interpretation of Multilingual Treaties,” 20 Hastings Int’l & Comp. L. Rev. 611 (1997). https://repository.uchastings.edu/hastings_international_comparative_law_review/vol20/iss3/8
          ☞ “Erreurs de traduction et malentendus diplomatiques,” Valère Ndior, pp. 297-312

          Sobre o nosso blogue

          Aqui, exploramos temas que nos são queridos e relevantes. Sérios, mas com um toque de humor e apimentados pela nossa paixão pela escrita! Conheça-nos “nos bastidores” e partilhe a sua opinião através dos comentários!

          About our blog

          This is where we explore topics that we hold dear or that are relevant. Serious, with a hint of humor and spiced up by our passion for writing! Get to know us “behind the scenes” and share your opinion in the comments section!

          Tags

          abrandar (2)acordo ortográfico (3)agência de tradução (2)AI (2)aprendizagem automática (3)artificial intelligence (1)Assertividade (1)audience (1)audiência (3)auto-cuidado (1)automatic translation (1)bem-estar (2)brief (4)burnout (3)CAT tools (5)challenges (1)challenges of the translator (1)computer-aided translation (1)controlo de qualidade (3)copy de marketing (3)copywriting resources (1)criatividade (3)desafios do tradutor (2)Desempenho (2)Desenvolvimento (2)Development (1)dicas (5)discurso público (3)diversidade (1)Emotional intelligence (2)envolvimento social (2)equidade (1)equilíbrio entre trabalho e vida pessoal (1)erros de tradução (3)fear (1)ferramentas de gestão da tradução (4)freelancer (5)Freelancing (1)Gestão (2)gestão do tempo (1)glossários (2)human translation (1)igualdade (1)ikigai (2)inteligência artificial (3)Inteligência emocional (2)justiça (1)keywords (1)language (2)Leadership (3)legal translation (1)Liderança (2)linguagem (4)Local de trabalho (2)machine-translation (2)machine learning (1)Management (1)marketing (7)marketing copy (1)medo (3)mindfulness (4)MTPE (4)orientações pessoais (2)palavras-chave (2)Performance (1)processo criativo (4)Profissão (1)proofreader (1)public speech (1)quality control (1)recursos de copywriting (2)remote working (1)resources (1)revisor (2)ritmo de vida (2)SEO (2)serviços de tradução (3)slow living (2)social engagement (3)sociedade (1)sworn translation (1)teamwork (3)tecnologias de tradução (4)terminologia (2)tips (2)trabalho de equipa (2)tradutores profissionais (3)tradução assistida por computador (2)tradução automática (2)tradução juramentada (2)tradução jurídica (2)tradução técnica (2)translation agency (1)translation errors (1)translation management tools (1)translation services (1)translation technologies (1)wellness (3)work-life balance (1)Workplace (2)

          0 Comments

          Submit a Comment

          O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

          Gostou deste artigo?
          Inscreva-se na nossa newsletter

          Receba informações sobre as ofertas e novidades que temos para si, e fique a par da publicação de novos artigos de interesse no nosso blogue.

            Did you like the article? Subscribe to our newsletter

            Receive information about the offers and news we have for you and keep up-to-date with new blog publications that suit your interests.

              Leia mais

              Leia mais

              Preconceito de género na tradução automática e a importância da diversidade

              Preconceito de género na tradução automática e a importância da diversidade

              Em suma, a inteligência artificial é uma tecnologia poderosa e promissora que pode trazer benefícios e oportunidades para a tradução, mas também apresenta riscos e desafios, que exigem atenção, cuidado e acção humana. A IA não é neutra, infalível nem imparcial. É um reflexo e um produto da sociedade humana, que é complexa, dinâmica e diversificada, mas também tem muitos problemas, como a discriminação, o preconceito, o racismo, o sexismo, etc.

              read more

              Read more

              Read more

              Preconceito de género na tradução automática e a importância da diversidade

              Preconceito de género na tradução automática e a importância da diversidade

              Em suma, a inteligência artificial é uma tecnologia poderosa e promissora que pode trazer benefícios e oportunidades para a tradução, mas também apresenta riscos e desafios, que exigem atenção, cuidado e acção humana. A IA não é neutra, infalível nem imparcial. É um reflexo e um produto da sociedade humana, que é complexa, dinâmica e diversificada, mas também tem muitos problemas, como a discriminação, o preconceito, o racismo, o sexismo, etc.

              read more

              Pin It on Pinterest

              Share This